Sim, leve, descasco todas as camadas que se sobrepõem sobre mim. Podre estão todas as minhas cascas, surjo puro e limpo do interior. Agarro o Ego pela mão. É uma criança que nada sabe e que guiou no caminho por muito tempo. Limpo o aquário onde verdadeiramente estou, para que atravesse o vidro e chegue quente ao mundo. E o mundo, por sua vez, acolhe-me e aninha-me como se ao ventre eu voltasse.
Toco ao de leve no Fluxo, no fluir, vejo com que facilidade todos nós temos para sofrer. Queremos encher demasiado a barriga, depois, o mundo vomita-nos. Queremos explicar, catalogar e destruir o mistério. Não. Eu quero viver o mistério, não quero saber porquê, apenas aceito-o assim e sorrio pela sua delicadeza. O mundo fala comigo em silêncio, revela-me o caminho de formas muito subtis. E é então que entendo: Eu sou tu, tu és eu. O passado faz click, os " e se" dissolvem-se em "foi porque agora, hoje, é assim". O futuro desaparece da mente, caem as expectativas, foge o sonho para outro lugar. E esse lugar é no coração. Aí vejo o futuro: o sonho e a intuição fundem-se no Fluxo.
A partir de então agradeço do mais simples ao mais complexo. O meu jantar de hoje, agradeço ao Universo. A minha sensação de satisfação depois de um exercício físico, agradeço ao meu corpo (que faz parte do universo). E por aí fora.
Vem aí um capítulo novo na minha vida. E não o sei. Sinto-o no coração.
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