Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2012

Escutando

E é então que volta de novo aquele sentir nostálgico, de tão entranhado que está. E porquê?

Será que agarrei em muitos viveres de desconhecidos ao mesmo tempo e rendilhei o coração com a mais triste porém bela vestimenta?

Será que se trata da minha imaginação a emergir com todos os "ses" vividos na amarela cidade de Lisboa? Sim, essa ainda estranha cidade amarela de noite, onde o rendilhado da calçada enfurece a mulher mais vaidosa, onde o autocarro amarelo ruge de dor de velho do Restelo.

O mais irónico é que parece que vou começar a atravessar A Grande Vermelha, aquela ponte que zumbe ao passar de um enxame de melancólicas abelhas, quase sem interromper. "Este também é o trabalho do meu Avô" digo-me. Afinal ele ajudou a pôr um prego aqui e ali.

Continuo assim, nesta cidade que trás alguma alma de nostalgia. Se esta fosse um veneno, então há uma outra cidade neste país que me matava instantaneamente. Mas por enquanto guardo-a no coração para não agoirar.


http://darkshot.blogsome.com/images/Ponte2.jpg

Domingo, 19 de Fevereiro de 2012

Capítulo

Há um reino em mim. Um lugar onde ninguém alcança, o único lugar em que estou intimamente relacionado com os universos. Daí provem toda a força, toda a minha força. Era para isto que estava a caminhar, e mal o sabia quando comecei.

Sou energia que flui, pelo tempo pelo espaço. E tu também és, par de olhos.

Sinto o chão do meu caminho, o rio que flui, sem represas. Não caminho para lado algum. Simplesmente caminho. Sigo o canto que lá nesse meu reino enche todo o som, a vibração da vida.

Sinto que desde há poucos dias, a minha ilusão de vida ia dar outra vira-volta. O mais curioso? Pressenti-o algum tempo antes. O auto conhecimento leva-me a antecipadamente ver o que se avizinha no presente. Sem ter sequer de me dar ao trabalho de fazer deduções.

A benção que colho no meu reino interior dou-a a todos os que me fizeram, fazem e farão feliz, assim como a todos os que a mim me fizeram, fazem e farão sofrer.

Porque a todos desejo o sorriso, porque a todos vejo no mesmo horizontal, porque todos são filhos do tempo e do espaço.

Um dia, vou transcender-me. Atingirei o Nirvana.



Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012

Entre-Espaços

Fujo do pensamento, dissolvo-me no esquecimento. Poucos são os que teimam em relembrar-me. Prefiro uma existência em comunhão com o infinito do que isolar-me e destacar-me: teria de acarretar com a angústia da brevidade da condição humana. Cada vez me recato mais do que digo e aventuro-me mais no que faço: assim defino bem o contorno do que sonho e do que sou aqui. Porque carrego em mim um mundo imenso de imaginação, tenho de o deixar bem encerrado nas suas fronteiras: cairia na loucura caso não assim o fosse.

E assim continuo a viagem, a longa viagem para onde o "eu" quer chegar.